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João

Capítulo 01

1NO princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.

2Ele estava no princípio com Deus.

3Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.

4Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.

5E a luz resplandece nas trevas, e as trevas não a compreenderam.

6Houve um homem enviado de Deus, cujo nome era João.

7Este veio para testemunho, para que testificasse da luz, para que todos cressem por ele.

8Não era ele a luz, mas para que testificasse da luz.

9Ali estava a luz verdadeira, que ilumina a todo o homem que vem ao mundo.

10Estava no mundo, e o mundo foi feito por ele, e o mundo não o conheceu.

11Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.

12Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no seu nome;

13Os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus.

14E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.

15João testificou dele, e clamou, dizendo: Este era aquele de quem eu dizia: O que vem após mim é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.

16E todos nós recebemos também da sua plenitude, e graça por graça.

17Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo.

18Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.

19E este é o testemunho de João, quando os judeus mandaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para que lhe perguntassem: Quem és tu?

20E confessou, e não negou; confessou: Eu não sou o Cristo.

21E perguntaram-lhe: Então quê? És tu Elias? E disse: Não sou. És tu profeta? E respondeu: Não.

22Disseram-lhe pois: Quem és? para que demos resposta àqueles que nos enviaram; que dizes de ti mesmo?

23Disse: Eu sou a voz do que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías.

24E os que tinham sido enviados eram dos fariseus.

25E perguntaram-lhe, e disseram-lhe: Por que batizas, pois, se tu não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?

26João respondeu-lhes, dizendo: Eu batizo com água; mas no meio de vós está um a quem vós não conheceis.

27Este é aquele que vem após mim, que é antes de mim, do qual eu não sou digno de desatar a correia da alparca.

28Estas coisas aconteceram em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.

29No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

30Este é aquele do qual eu disse: Após mim vem um homem que é antes de mim, porque foi primeiro do que eu.

31E eu não o conhecia; mas, para que ele fosse manifestado a Israel, vim eu, por isso, batizando com água.

32E João testificou, dizendo: Eu vi o Espírito descer do céu como pomba, e repousar sobre ele.

33E eu não o conhecia, mas o que me mandou a batizar com água, esse me disse: Sobre aquele que vires descer o Espírito, e sobre ele repousar, esse é o que batiza com o Espírito Santo.

34E eu vi, e tenho testificado que este é o Filho de Deus.

35No dia seguinte João estava outra vez ali, e dois dos seus discípulos;

36E, vendo passar a Jesus, disse: Eis aqui o Cordeiro de Deus.

37E os dois discípulos ouviram-no dizer isto, e seguiram a Jesus.

38E Jesus, voltando-se e vendo que eles o seguiam, disse-lhes: Que buscais? E eles disseram: Rabi (que, traduzido, quer dizer Mestre), onde moras?

39Ele lhes disse: Vinde, e vede. Foram, e viram onde morava, e ficaram com ele aquele dia; e era já quase a hora décima.

40Era André, irmão de Simão Pedro, um dos dois que ouviram aquilo de João, e o haviam seguido.

41Este achou primeiro a seu irmão Simão, e disse-lhe: Achamos o Messias (que, traduzido, é o Cristo).

42E levou-o a Jesus. E, olhando Jesus para ele, disse: Tu és Simão, filho de Jonas; tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).

43No dia seguinte quis Jesus ir à Galiléia, e achou a Filipe, e disse-lhe: Segue-me.

44E Filipe era de Betsaida, cidade de André e de Pedro.

45Filipe achou Natanael, e disse-lhe: Havemos achado aquele de quem Moisés escreveu na lei, e os profetas: Jesus de Nazaré, filho de José.

46Disse-lhe Natanael: Pode vir alguma coisa boa de Nazaré? Disse-lhe Filipe: Vem, e vê.

47Jesus viu Natanael vir ter com ele, e disse dele: Eis aqui um verdadeiro israelita, em quem não há dolo.

48Disse-lhe Natanael: De onde me conheces tu? Jesus respondeu, e disse-lhe: Antes que Filipe te chamasse, te vi eu, estando tu debaixo da figueira.

49Natanael respondeu, e disse-lhe: Rabi, tu és o Filho de Deus; tu és o Rei de Israel.

50Jesus respondeu, e disse-lhe: Porque te disse: Vi-te debaixo da figueira, crês? Coisas maiores do que estas verás.

51E disse-lhe: Na verdade, na verdade vos digo que daqui em diante vereis o céu aberto, e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do homem.

Capítulo 02

1E, AO terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galiléia; e estava ali a mãe de Jesus.

2E foi também convidado Jesus e os seus discípulos para as bodas.

3E, faltando vinho, a mãe de Jesus lhe disse: Não têm vinho.

4Disse-lhe Jesus: Mulher, que tenho eu contigo? Ainda não é chegada a minha hora.

5Sua mãe disse aos serventes: Fazei tudo quanto ele vos disser.

6E estavam ali postas seis talhas de pedra, para as purificações dos judeus, e em cada uma cabiam dois ou três almudes.

7Disse-lhes Jesus: Enchei de água essas talhas. E encheram-nas até em cima.

8E disse-lhes: Tirai agora, e levai ao mestre-sala. E levaram.

9E, logo que o mestre-sala provou a água feita vinho (não sabendo de onde viera, se bem que o sabiam os serventes que tinham tirado a água), chamou o mestre-sala ao esposo,

10E disse-lhe: Todo o homem põe primeiro o vinho bom e, quando já têm bebido bem, então o inferior; mas tu guardaste até agora o bom vinho.

11Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele.

12Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.

13E estava próxima a páscoa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

14E achou no templo os que vendiam bois, e ovelhas, e pombos, e os cambiadores assentados.

15E tendo feito um azorrague de cordéis, lançou todos fora do templo, também os bois e ovelhas; e espalhou o dinheiro dos cambiadores, e derribou as mesas;

16E disse aos que vendiam pombos: Tirai daqui estes, e não façais da casa de meu Pai casa de venda.

17E os seus discípulos lembraram-se do que está escrito: O zelo da tua casa me devorará.

18Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Que sinal nos mostras para fazeres isto?

19Jesus respondeu, e disse-lhes: Derribai este templo, e em três dias o levantarei.

20Disseram, pois, os judeus: Em quarenta e seis anos foi edificado este templo, e tu o levantarás em três dias?

21Mas ele falava do templo do seu corpo.

22Quando, pois, ressuscitou dentre os mortos, os seus discípulos lembraram-se de que lhes dissera isto; e creram na Escritura, e na palavra que Jesus tinha dito.

23E, estando ele em Jerusalém pela páscoa, durante a festa, muitos, vendo os sinais que fazia, creram no seu nome.

24Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a todos conhecia;

25E não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque ele bem sabia o que havia no homem.

Capítulo 03

1E HAVIA entre os fariseus um homem, chamado Nicodemos, príncipe dos judeus.

2Este foi ter de noite com Jesus, e disse-lhe: Rabi, bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele.

3Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

4Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?

5Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

6O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

7Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.

😯 vento assopra onde quer, e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

9Nicodemos respondeu, e disse-lhe: Como pode ser isso?

10Jesus respondeu, e disse-lhe: Tu és mestre de Israel, e não sabes isto?

11Na verdade, na verdade te digo que nós dizemos o que sabemos, e testificamos o que vimos; e não aceitais o nosso testemunho.

12Se vos falei de coisas terrestres, e não crestes, como crereis, se vos falar das celestiais?

13Ora, ninguém subiu ao céu, senão o que desceu do céu, o Filho do homem, que está no céu.

14E, como Moisés levantou a serpente no deserto, assim importa que o Filho do homem seja levantado;

15Para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

16Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

17Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

18Quem crê nele não é condenado; mas quem não crê já está condenado, porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus.

19E a condenação é esta: Que a luz veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz, porque as suas obras eram más.

20Porque todo aquele que faz o mal odeia a luz, e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas.

21Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que as suas obras sejam manifestas, porque são feitas em Deus.

22Depois disto foi Jesus com os seus discípulos para a terra da Judéia; e estava ali com eles, e batizava.

23Ora, João batizava também em Enom, junto a Salim, porque havia ali muitas águas; e vinham ali, e eram batizados.

24Porque ainda João não tinha sido lançado na prisão.

25Houve então uma questão entre os discípulos de João e os judeus acerca da purificação.

26E foram ter com João, e disseram-lhe: Rabi, aquele que estava contigo além do Jordão, do qual tu deste testemunho, ei-lo batizando, e todos vão ter com ele.

27João respondeu, e disse: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu.

28Vós mesmos me sois testemunhas de que disse: Eu não sou o Cristo, mas sou enviado adiante dele.

29Aquele que tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que lhe assiste e o ouve, alegra-se muito com a voz do esposo. Assim, pois, já este meu gozo está cumprido.

30É necessário que ele cresça e que eu diminua.

31Aquele que vem de cima é sobre todos; aquele que vem da terra é da terra e fala da terra. Aquele que vem do céu é sobre todos.

32E aquilo que ele viu e ouviu isso testifica; e ninguém aceita o seu testemunho.

33Aquele que aceitou o seu testemunho, esse confirmou que Deus é verdadeiro.

34Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.

35O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas suas mãos.

36Aquele que crê no Filho tem a vida eterna; mas aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus sobre ele permanece.

Capítulo 04

1E QUANDO o Senhor entendeu que os fariseus tinham ouvido que Jesus fazia e batizava mais discípulos do que João

2(Ainda que Jesus mesmo não batizava, mas os seus discípulos),

3Deixou a Judéia, e foi outra vez para a Galiléia.

4E era-lhe necessário passar por Samaria.

5Foi, pois, a uma cidade de Samaria, chamada Sicar, junto da herdade que Jacó tinha dado a seu filho José.

6E estava ali a fonte de Jacó. Jesus, pois, cansado do caminho, assentou-se assim junto da fonte. Era isto quase à hora sexta.

7Veio uma mulher de Samaria tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.

8Porque os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.

9Disse-lhe, pois, a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana? (porque os judeus não se comunicam com os samaritanos).

10Jesus respondeu, e disse-lhe: Se tu conheceras o dom de Deus, e quem é o que te diz: Dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.

11Disse-lhe a mulher: Senhor, tu não tens com que a tirar, e o poço é fundo; onde, pois, tens a água viva?

12És tu maior do que o nosso pai Jacó, que nos deu o poço, bebendo ele próprio dele, e os seus filhos, e o seu gado?

13Jesus respondeu, e disse-lhe: Qualquer que beber desta água tornará a ter sede;

14Mas aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna.

15Disse-lhe a mulher: SENHOR, dá-me dessa água, para que não mais tenha sede, e não venha aqui tirá-la.

16Disse-lhe Jesus: Vai, chama o teu marido, e vem cá.

17A mulher respondeu, e disse: Não tenho marido. Disse-lhe Jesus: Disseste bem: Não tenho marido;

18Porque tiveste cinco maridos, e o que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade.

19Disse-lhe a mulher: Senhor, vejo que és profeta.

20Nossos pais adoraram neste monte, e vós dizeis que é em Jerusalém o lugar onde se deve adorar.

21Disse-lhe Jesus: Mulher, crê-me que a hora vem, em que nem neste monte nem em Jerusalém adorareis o Pai.

22Vós adorais o que não sabeis; nós adoramos o que sabemos porque a salvação vem dos judeus.

23Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem.

24Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade.

25A mulher disse-lhe: Eu sei que o Messias (que se chama o Cristo) vem; quando ele vier, nos anunciará tudo.

26Jesus disse-lhe: Eu o sou, eu que falo contigo.

27E nisto vieram os seus discípulos, e maravilharam-se de que estivesse falando com uma mulher; todavia nenhum lhe disse: Que perguntas? ou: Por que falas com ela?

28Deixou, pois, a mulher o seu cântaro, e foi à cidade, e disse àqueles homens:

29Vinde, vede um homem que me disse tudo quanto tenho feito. Porventura não é este o Cristo?

30Saíram, pois, da cidade, e foram ter com ele.

31E entretanto os seus discípulos lhe rogaram, dizendo: Rabi, come.

32Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis.

33Então os discípulos diziam uns aos outros: Trouxe-lhe, porventura, alguém algo de comer?

34Jesus disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou, e realizar a sua obra.

35Não dizeis vós que ainda há quatro meses até que venha a ceifa? Eis que eu vos digo: Levantai os vossos olhos, e vede as terras, que já estão brancas para a ceifa.

36E o que ceifa recebe galardão, e ajunta fruto para a vida eterna; para que, assim o que semeia como o que ceifa, ambos se regozijem.

37Porque nisto é verdadeiro o ditado, que um é o que semeia, e outro o que ceifa.

38Eu vos enviei a ceifar onde vós não trabalhastes; outros trabalharam, e vós entrastes no seu trabalho.

39E muitos dos samaritanos daquela cidade creram nele, pela palavra da mulher, que testificou: Disse-me tudo quanto tenho feito.

40Indo, pois, ter com ele os samaritanos, rogaram-lhe que ficasse com eles; e ficou ali dois dias.

41E muitos mais creram nele, por causa da sua palavra.

42E diziam à mulher: Já não é pelo teu dito que nós cremos; porque nós mesmos o temos ouvido, e sabemos que este é verdadeiramente o Cristo, o Salvador do mundo.

43E dois dias depois partiu dali, e foi para a Galiléia.

44Porque Jesus mesmo testificou que um profeta não tem honra na sua própria pátria.

45Chegando, pois, à Galiléia, os galileus o receberam, vistas todas as coisas que fizera em Jerusalém, no dia da festa; porque também eles tinham ido à festa.

46Segunda vez foi Jesus a Caná da Galiléia, onde da água fizera vinho. E havia ali um nobre, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum.

47Ouvindo este que Jesus vinha da Judéia para a Galiléia, foi ter com ele, e rogou-lhe que descesse, e curasse o seu filho, porque já estava à morte.

48Então Jesus lhe disse: Se não virdes sinais e milagres, não crereis.

49Disse-lhe o nobre: Senhor, desce, antes que meu filho morra.

50Disse-lhe Jesus: Vai, o teu filho vive. E o homem creu na palavra que Jesus lhe disse, e partiu.

51E descendo ele logo, saíram-lhe ao encontro os seus servos, e lhe anunciaram, dizendo: O teu filho vive.

52Perguntou-lhes, pois, a que hora se achara melhor. E disseram-lhe: Ontem às sete horas a febre o deixou.

53Entendeu, pois, o pai que era aquela hora a mesma em que Jesus lhe disse: O teu filho vive; e creu ele, e toda a sua casa.

54Jesus fez este segundo milagre, quando ia da Judéia para a Galiléia

Capítulo 05

1DEPOIS disto havia uma festa entre os judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.

2Ora, em Jerusalém há, próximo à porta das ovelhas, um tanque, chamado em hebreu Betesda, o qual tem cinco alpendres.

3Nestes jazia grande multidão de enfermos, cegos, mancos e ressicados, esperando o movimento da água.

4Porquanto um anjo descia em certo tempo ao tanque, e agitava a água; e o primeiro que ali descia, depois do movimento da água, sarava de qualquer enfermidade que tivesse.

5E estava ali um homem que, havia trinta e oito anos, se achava enfermo.

6E Jesus, vendo este deitado, e sabendo que estava neste estado havia muito tempo, disse-lhe: Queres ficar são?

7O enfermo respondeu-lhe: Senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me ponha no tanque; mas, enquanto eu vou, desce outro antes de mim.

8Jesus disse-lhe: Levanta-te, toma o teu leito, e anda.

9Logo aquele homem ficou são; e tomou o seu leito, e andava. E aquele dia era sábado.

10Então os judeus disseram àquele que tinha sido curado: É sábado, não te é lícito levar o leito.

11Ele respondeu-lhes: Aquele que me curou, ele próprio disse: Toma o teu leito, e anda.

12Perguntaram-lhe, pois: Quem é o homem que te disse: Toma o teu leito, e anda?

13E o que fora curado não sabia quem era; porque Jesus se havia retirado, em razão de naquele lugar haver grande multidão.

14Depois Jesus encontrou-o no templo, e disse-lhe: Eis que já estás são; não peques mais, para que não te suceda alguma coisa pior.

15E aquele homem foi, e anunciou aos judeus que Jesus era o que o curara.

16E por esta causa os judeus perseguiram a Jesus, e procuravam matá-lo, porque fazia estas coisas no sábado.

17E Jesus lhes respondeu: Meu Pai trabalha até agora, e eu trabalho também.

18Por isso, pois, os judeus ainda mais procuravam matá-lo, porque não só quebrantava o sábado, mas também dizia que Deus era seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.

19Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer o Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.

20Porque o Pai ama o Filho, e mostra-lhe tudo o que faz; e ele lhe mostrará maiores obras do que estas, para que vos maravilheis.

21Pois, assim como o Pai ressuscita os mortos, e os vivifica, assim também o Filho vivifica aqueles que quer.

22E também o Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho todo o juízo;

23Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou.

24Na verdade, na verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna, e não entrará em condenação, mas passou da morte para a vida.

25Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e agora é, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.

26Porque, como o Pai tem a vida em si mesmo, assim deu também ao Filho ter a vida em si mesmo;

27E deu-lhe o poder de exercer o juízo, porque é o Filho do homem.

28Não vos maravilheis disto; porque vem a hora em que todos os que estão nos sepulcros ouvirão a sua voz.

29E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.

30Eu não posso de mim mesmo fazer coisa alguma. Como ouço, assim julgo; e o meu juízo é justo, porque não busco a minha vontade, mas a vontade do Pai que me enviou.

31Se eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho não é verdadeiro.

32Há outro que testifica de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.

33Vós mandastes mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade.

34Eu, porém, não recebo testemunho de homem; mas digo isto, para que vos salveis.

35Ele era a candeia que ardia e alumiava, e vós quisestes alegrar-vos por um pouco de tempo com a sua luz.

36Mas eu tenho maior testemunho do que o de João; porque as obras que o Pai me deu para realizar, as mesmas obras que eu faço, testificam de mim, que o Pai me enviou.

37E o Pai, que me enviou, ele mesmo testificou de mim. Vós nunca ouvistes a sua voz, nem vistes o seu parecer.

38E a sua palavra não permanece em vós, porque naquele que ele enviou não credes vós.

39Examinais as Escrituras, porque vós cuidais ter nelas a vida eterna, e são elas que de mim testificam;

40E não quereis vir a mim para terdes vida.

41Eu não recebo glória dos homens;

42Mas bem vos conheço, que não tendes em vós o amor de Deus.

43Eu vim em nome de meu Pai, e não me aceitais; se outro vier em seu próprio nome, a esse aceitareis.

44Como podeis vós crer, recebendo honra uns dos outros, e não buscando a honra que vem só de Deus?

45Não cuideis que eu vos hei de acusar para com o Pai. Há um que vos acusa, Moisés, em quem vós esperais.

46Porque, se vós crêsseis em Moisés, creríeis em mim; porque de mim escreveu ele.

47Mas, se não credes nos seus escritos, como crereis nas minhas palavras?

Capítulo 06

1DEPOIS disto partiu Jesus para o outro lado do mar da Galiléia, que é o de Tiberíades.

2E grande multidão o seguia, porque via os sinais que operava sobre os enfermos.

3E Jesus subiu ao monte, e assentou-se ali com os seus discípulos.

4E a páscoa, a festa dos judeus, estava próxima.

5Então Jesus, levantando os olhos, e vendo que uma grande multidão vinha ter com ele, disse a Filipe: Onde compraremos pão, para estes comerem?

6Mas dizia isto para o experimentar; porque ele bem sabia o que havia de fazer.

7Filipe respondeu-lhe: Duzentos dinheiros de pão não lhes bastarão, para que cada um deles tome um pouco.

8E um dos seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, disse-lhe:

9Está aqui um rapaz que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isto para tantos?

10E disse Jesus: Mandai assentar os homens. E havia muita relva naquele lugar. Assentaram-se, pois, os homens em número de quase cinco mil.

11E Jesus tomou os pães e, havendo dado graças, repartiu-os pelos discípulos, e os discípulos pelos que estavam assentados; e igualmente também dos peixes, quanto eles queriam.

12E, quando estavam saciados, disse aos seus discípulos: Recolhei os pedaços que sobejaram, para que nada se perca.

13Recolheram-nos, pois, e encheram doze alcofas de pedaços dos cinco pães de cevada, que sobejaram aos que haviam comido.

14Vendo, pois, aqueles homens o milagre que Jesus tinha feito, diziam: Este é verdadeiramente o profeta que devia vir ao mundo.

15Sabendo, pois, Jesus que haviam de vir arrebatá-lo, para o fazerem rei, tornou a retirar-se, ele só, para o monte.

16E, quando veio a tarde, os seus discípulos desceram para o mar.

17E, entrando no barco, atravessaram o mar em direção a Cafarnaum; e era já escuro, e ainda Jesus não tinha chegado ao pé deles.

18E o mar se levantou, porque um grande vento assoprava.

19E, tendo navegado uns vinte e cinco ou trinta estádios, viram a Jesus, andando sobre o mar e aproximando-se do barco; e temeram.

20Mas ele lhes disse: Sou eu, não temais.

21Então eles de boa mente o receberam no barco; e logo o barco chegou à terra para onde iam.

22No dia seguinte, a multidão que estava do outro lado do mar, vendo que não havia ali mais do que um barquinho, a não ser aquele no qual os discípulos haviam entrado, e que Jesus não entrara com os seus discípulos naquele barquinho, mas que os seus discíp

23(Contudo, outros barquinhos tinham chegado de Tiberíades, perto do lugar onde comeram o pão, havendo o SENHOR dado graças).

24Vendo, pois, a multidão que Jesus não estava ali nem os seus discípulos, entraram eles também nos barcos, e foram a Cafarnaum, em busca de Jesus.

25E, achando-o no outro lado do mar, disseram-lhe: Rabi, quando chegaste aqui?

26Jesus respondeu-lhes, e disse: Na verdade, na verdade vos digo que me buscais, não pelos sinais que vistes, mas porque comestes do pão e vos saciastes.

27Trabalhai, não pela comida que perece, mas pela comida que permanece para a vida eterna, a qual o Filho do homem vos dará; porque a este o Pai, Deus, o selou.

28Disseram-lhe, pois: Que faremos para executarmos as obras de Deus?

29Jesus respondeu, e disse-lhes: A obra de Deus é esta: Que creiais naquele que ele enviou.

30Disseram-lhe, pois: Que sinal, pois, fazes tu, para que o vejamos, e creiamos em ti? Que operas tu?

31Nossos pais comeram o maná no deserto, como está escrito: Deu-lhes a comer o pão do céu.

32Disse-lhes, pois, Jesus: Na verdade, na verdade vos digo: Moisés não vos deu o pão do céu; mas meu Pai vos dá o verdadeiro pão do céu.

33Porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo.

34Disseram-lhe, pois: SENHOR, dá-nos sempre desse pão.

35E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.

36Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes.

37Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

38Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

39E a vontade do Pai que me enviou é esta: Que nenhum de todos aqueles que me deu se perca, mas que o ressuscite no último dia.

40Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

41Murmuravam, pois, dele os judeus, porque dissera: Eu sou o pão que desceu do céu.

42E diziam: Não é este Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe nós conhecemos? Como, pois, diz ele: Desci do céu?

43Respondeu, pois, Jesus, e disse-lhes: Não murmureis entre vós.

44Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou o não trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

45Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto, todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.

46Não que alguém visse ao Pai, a não ser aquele que é de Deus; este tem visto ao Pai.

47Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim tem a vida eterna.

48Eu sou o pão da vida.

49Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram.

50Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra.

51Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.

52Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?

53Jesus, pois, lhes disse: Na verdade, na verdade vos digo que, se não comerdes a carne do Filho do homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis vida em vós mesmos.

54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.

55Porque a minha carne verdadeiramente é comida, e o meu sangue verdadeiramente é bebida.

56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

57Assim como o Pai, que vive, me enviou, e eu vivo pelo Pai, assim, quem de mim se alimenta, também viverá por mim.

58Este é o pão que desceu do céu; não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.

59Ele disse estas coisas na sinagoga, ensinando em Cafarnaum.

60Muitos, pois, dos seus discípulos, ouvindo isto, disseram: Duro é este discurso; quem o pode ouvir?

61Sabendo, pois, Jesus em si mesmo que os seus discípulos murmuravam disto, disse-lhes: Isto escandaliza-vos?

62Que seria, pois, se vísseis subir o Filho do homem para onde primeiro estava?

63O espírito é o que vivifica, a carne para nada aproveita; as palavras que eu vos disse são espírito e vida.

64Mas há alguns de vós que não crêem. Porque bem sabia Jesus, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.

65E dizia: Por isso eu vos disse que ninguém pode vir a mim, se por meu Pai não lhe for concedido.

66Desde então muitos dos seus discípulos tornaram para trás, e já não andavam com ele.

67Então disse Jesus aos doze: Quereis vós também retirar-vos?

68Respondeu-lhe, pois, Simão Pedro: Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna.

69E nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho do Deus vivente.

70Respondeu-lhe Jesus: Não vos escolhi a vós os doze? e um de vós é um diabo.

71E isto dizia ele de Judas Iscariotes, filho de Simão; porque este o havia de entregar, sendo um dos doze.

Capítulo 07

1E DEPOIS disto Jesus andava pela Galiléia, e já não queria andar pela Judéia, pois os judeus procuravam matá-lo.

2E estava próxima a festa dos judeus, a dos tabernáculos.

3Disseram-lhe, pois, seus irmãos: Sai daqui, e vai para a Judéia, para que também os teus discípulos vejam as obras que fazes.

4Porque não há ninguém que procure ser conhecido que faça coisa alguma em oculto. Se fazes estas coisas, manifesta-te ao mundo.

5Porque nem mesmo seus irmãos criam nele.

6Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda não é chegado o meu tempo, mas o vosso tempo sempre está pronto.

7O mundo não vos pode odiar, mas ele me odeia a mim, porquanto dele testifico que as suas obras são más.

8Subi vós a esta festa; eu não subo ainda a esta festa, porque ainda o meu tempo não está cumprido.

9E, havendo-lhes dito isto, ficou na Galiléia.

10Mas, quando seus irmãos já tinham subido à festa, então subiu ele também, não manifestamente, mas como em oculto.

11Ora, os judeus procuravam-no na festa, e diziam: Onde está ele?

12E havia grande murmuração entre a multidão a respeito dele. Diziam alguns: Ele é bom. E outros diziam: Não, antes engana o povo.

13Todavia ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus.

14Mas, no meio da festa subiu Jesus ao templo, e ensinava.

15E os judeus maravilhavam-se, dizendo: Como sabe este letras, não as tendo aprendido?

16Jesus lhes respondeu, e disse: A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou.

17Se alguém quiser fazer a vontade dele, pela mesma doutrina conhecerá se ela é de Deus, ou se eu falo de mim mesmo.

18Quem fala de si mesmo busca a sua própria glória; mas o que busca a glória daquele que o enviou, esse é verdadeiro, e não há nele injustiça.

19Não vos deu Moisés a lei? e nenhum de vós observa a lei. Por que procurais matar-me?

20A multidão respondeu, e disse: Tens demônio; quem procura matar-te?

21Respondeu Jesus, e disse-lhes: Fiz uma só obra, e todos vos maravilhais.

22Pelo motivo de que Moisés vos deu a circuncisão (não que fosse de Moisés, mas dos pais), no sábado circuncidais um homem.

23Se o homem recebe a circuncisão no sábado, para que a lei de Moisés não seja quebrantada, indignais-vos contra mim, porque no sábado curei de todo um homem?

24Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.

25Então alguns dos de Jerusalém diziam: Não é este o que procuram matar?

26E ei-lo aí está falando abertamente, e nada lhe dizem. Porventura sabem verdadeiramente os príncipes que de fato este é o Cristo?

27Todavia bem sabemos de onde este é; mas, quando vier o Cristo, ninguém saberá de onde ele é.

28Clamava, pois, Jesus no templo, ensinando, e dizendo: Vós conheceis-me, e sabeis de onde sou; e eu não vim de mim mesmo, mas aquele que me enviou é verdadeiro, o qual vós não conheceis.

29Mas eu conheço-o, porque dele sou e ele me enviou.

30Procuravam, pois, prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele, porque ainda não era chegada a sua hora.

31E muitos da multidão creram nele, e diziam: Quando o Cristo vier, fará ainda mais sinais do que os que este tem feito?

32Os fariseus ouviram que a multidão murmurava dele estas coisas; e os fariseus e os principais dos sacerdotes mandaram servidores para o prenderem.

33Disse-lhes, pois, Jesus: Ainda um pouco de tempo estou convosco, e depois vou para aquele que me enviou.

34Vós me buscareis, e não me achareis; e onde eu estou, vós não podeis vir.

35Disseram, pois, os judeus uns para os outros: Para onde irá este, que o não acharemos? Irá porventura para os dispersos entre os gregos, e ensinará os gregos?

36Que palavra é esta que disse: Buscar-me-eis, e não me achareis; e: Aonde eu estou vós não podeis ir?

37E no último dia, o grande dia da festa, Jesus pôs-se em pé, e clamou, dizendo: Se alguém tem sede, venha a mim, e beba.

38Quem crê em mim, como diz a Escritura, rios de água viva correrão do seu ventre.

39E isto disse ele do Espírito que haviam de receber os que nele cressem; porque o Espírito Santo ainda não fora dado, por ainda Jesus não ter sido glorificado.

40Então muitos da multidão, ouvindo esta palavra, diziam: Verdadeiramente este é o Profeta.

41Outros diziam: Este é o Cristo; mas diziam outros: Vem, pois, o Cristo da Galiléia?

42Não diz a Escritura que o Cristo vem da descendência de Davi, e de Belém, da aldeia de onde era Davi?

43Assim entre o povo havia dissensão por causa dele.

44E alguns deles queriam prendê-lo, mas ninguém lançou mão dele.

45E os servidores foram ter com os principais dos sacerdotes e fariseus; e eles lhes perguntaram: Por que não o trouxestes?

46Responderam os servidores: Nunca homem algum falou assim como este homem.

47Responderam-lhes, pois, os fariseus: Também vós fostes enganados?

48Creu nele porventura algum dos principais ou dos fariseus?

49Mas esta multidão, que não sabe a lei, é maldita.

50Nicodemos, que era um deles (o que de noite fora ter com Jesus), disse-lhes:

51Porventura condena a nossa lei um homem sem primeiro o ouvir e ter conhecimento do que faz?

52Responderam eles, e disseram-lhe: És tu também da Galiléia? Examina, e verás que da Galiléia nenhum profeta surgiu.

53E cada um foi para sua casa

Capítulo 08

1JESUS, porém, foi para o Monte das Oliveiras.

2E pela manhã cedo tornou para o templo, e todo o povo vinha ter com ele, e, assentando-se, os ensinava.

3E os escribas e fariseus trouxeram-lhe uma mulher apanhada em adultério;

4E, pondo-a no meio, disseram-lhe: Mestre, esta mulher foi apanhada, no próprio ato, adulterando.

5E na lei nos mandou Moisés que as tais sejam apedrejadas. Tu, pois, que dizes?

6Isto diziam eles, tentando-o, para que tivessem de que o acusar. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia com o dedo na terra.

7E, como insistissem, perguntando-lhe, endireitou-se, e disse-lhes: Aquele que de entre vós está sem pecado seja o primeiro que atire pedra contra ela.

8E, tornando a inclinar-se, escrevia na terra.

9Quando ouviram isto, redargüidos da consciência, saíram um a um, a começar pelos mais velhos até aos últimos; ficou só Jesus e a mulher que estava no meio.

10E, endireitando-se Jesus, e não vendo ninguém mais do que a mulher, disse-lhe: Mulher, onde estão aqueles teus acusadores? Ninguém te condenou?

11E ela disse: Ninguém, Senhor. E disse-lhe Jesus: Nem eu também te condeno; vai-te, e não peques mais.

12Falou-lhes, pois, Jesus outra vez, dizendo: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não andará em trevas, mas terá a luz da vida.

13Disseram-lhe, pois, os fariseus: Tu testificas de ti mesmo; o teu testemunho não é verdadeiro.

14Respondeu Jesus, e disse-lhes: Ainda que eu testifico de mim mesmo, o meu testemunho é verdadeiro, porque sei de onde vim, e para onde vou; mas vós não sabeis de onde venho, nem para onde vou.

15Vós julgais segundo a carne; eu a ninguém julgo.

16E, se na verdade julgo, o meu juízo é verdadeiro, porque não sou eu só, mas eu e o Pai que me enviou.

17E na vossa lei está também escrito que o testemunho de dois homens é verdadeiro.

18Eu sou o que testifico de mim mesmo, e de mim testifica também o Pai que me enviou.

19Disseram-lhe, pois: Onde está teu Pai? Jesus respondeu: Não me conheceis a mim, nem a meu Pai; se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai.

20Estas palavras disse Jesus no lugar do tesouro, ensinando no templo, e ninguém o prendeu, porque ainda não era chegada a sua hora.

21Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Eu retiro-me, e buscar-me-eis, e morrereis no vosso pecado. Para onde eu vou, não podeis vós vir.

22Diziam, pois, os judeus: Porventura quererá matar-se a si mesmo, pois diz: Para onde eu vou não podeis vir?

23E dizia-lhes: Vós sois de baixo, eu sou de cima; vós sois deste mundo, eu não sou deste mundo.

24Por isso vos disse que morrereis em vossos pecados, porque se não crerdes que eu sou, morrereis em vossos pecados.

25Disseram-lhe, pois: Quem és tu? Jesus lhes disse: Isso mesmo que já desde o princípio vos disse.

26Muito tenho que dizer e julgar de vós, mas aquele que me enviou é verdadeiro; e o que dele tenho ouvido, isso falo ao mundo.

27Mas não entenderam que ele lhes falava do Pai.

28Disse-lhes, pois, Jesus: Quando levantardes o Filho do homem, então conhecereis quem eu sou, e que nada faço por mim mesmo; mas falo como meu Pai me ensinou.

29E aquele que me enviou está comigo. O Pai não me tem deixado só, porque eu faço sempre o que lhe agrada.

30Dizendo ele estas coisas, muitos creram nele.

31Jesus dizia, pois, aos judeus que criam nele: Se vós permanecerdes na minha palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos;

32E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.

33Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão, e nunca servimos a ninguém; como dizes tu: Sereis livres?

34Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é servo do pecado.

35Ora o servo não fica para sempre em casa; o Filho fica para sempre.

36Se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres.

37Bem sei que sois descendência de Abraão; contudo, procurais matar-me, porque a minha palavra não entra em vós.

38Eu falo do que vi junto de meu Pai, e vós fazeis o que também vistes junto de vosso pai.

39Responderam, e disseram-lhe: Nosso pai é Abraão. Jesus disse-lhes: Se fôsseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão.

40Mas agora procurais matar-me, a mim, homem que vos tem dito a verdade que de Deus tem ouvido; Abraão não fez isto.

41Vós fazeis as obras de vosso pai. Disseram-lhe, pois: Nós não somos nascidos de prostituição; temos um Pai, que é Deus.

42Disse-lhes, pois, Jesus: Se Deus fosse o vosso Pai, certamente me amaríeis, pois que eu saí, e vim de Deus; não vim de mim mesmo, mas ele me enviou.

43Por que não entendeis a minha linguagem? Por não poderdes ouvir a minha palavra.

44Vós tendes por pai ao diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai. Ele foi homicida desde o princípio, e não se firmou na verdade, porque não há verdade nele. Quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso, e pai da men

45Mas, porque vos digo a verdade, não me credes.

46Quem dentre vós me convence de pecado? E se vos digo a verdade, por que não credes?

47Quem é de Deus escuta as palavras de Deus; por isso vós não as escutais, porque não sois de Deus.

48Responderam, pois, os judeus, e disseram-lhe: Não dizemos nós bem que és samaritano, e que tens demônio?

49Jesus respondeu: Eu não tenho demônio, antes honro a meu Pai, e vós me desonrais.

50Eu não busco a minha glória; há quem a busque, e julgue.

51Em verdade, em verdade vos digo que, se alguém guardar a minha palavra, nunca verá a morte.

52Disseram-lhe, pois, os judeus: Agora conhecemos que tens demônio. Morreu Abraão e os profetas; e tu dizes: Se alguém guardar a minha palavra, nunca provará a morte.

53És tu maior do que o nosso pai Abraão, que morreu? E também os profetas morreram. Quem te fazes tu ser?

54Jesus respondeu: Se eu me glorifico a mim mesmo, a minha glória não é nada; quem me glorifica é meu Pai, o qual dizeis que é vosso Deus.

55E vós não o conheceis, mas eu conheço-o. E, se disser que o não conheço, serei mentiroso como vós; mas conheço-o e guardo a sua palavra.

56Abraão, vosso pai, exultou por ver o meu dia, e viu-o, e alegrou-se.

57Disseram-lhe, pois, os judeus: Ainda não tens cinqüenta anos, e viste Abraão?

58Disse-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que antes que Abraão existisse, eu sou.

59Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.

Capítulo 09

1E, PASSANDO Jesus, viu um homem cego de nascença.

2E os seus discípulos lhe perguntaram, dizendo: Rabi, quem pecou, este ou seus pais, para que nascesse cego?

3Jesus respondeu: Nem ele pecou nem seus pais; mas foi assim para que se manifestem nele as obras de Deus.

4Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar.

5Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo.

6Tendo dito isto, cuspiu na terra, e com a saliva fez lodo, e untou com o lodo os olhos do cego.

7E disse-lhe: Vai, lava-te no tanque de Siloé (que significa o Enviado). Foi, pois, e lavou-se, e voltou vendo.

8Então os vizinhos, e aqueles que dantes tinham visto que era cego, diziam: Não é este aquele que estava assentado e mendigava?

9Uns diziam: É este. E outros: Parece-se com ele. Ele dizia: Sou eu.

10Diziam-lhe, pois: Como se te abriram os olhos?

11Ele respondeu, e disse: O homem, chamado Jesus, fez lodo, e untou-me os olhos, e disse-me: Vai ao tanque de Siloé, e lava-te. Então fui, e lavei-me, e vi.

12Disseram-lhe, pois: Onde está ele? Respondeu: Não sei.

13Levaram, pois, aos fariseus o que dantes era cego.

14E era sábado quando Jesus fez o lodo e lhe abriu os olhos.

15Tornaram, pois, também os fariseus a perguntar-lhe como vira, e ele lhes disse: Pôs-me lodo sobre os olhos, lavei-me, e vejo.

16Então alguns dos fariseus diziam: Este homem não é de Deus, pois não guarda o sábado. Diziam outros: Como pode um homem pecador fazer tais sinais? E havia dissensão entre eles.

17Tornaram, pois, a dizer ao cego: Tu, que dizes daquele que te abriu os olhos? E ele respondeu: Que é profeta.

18Os judeus, porém, não creram que ele tivesse sido cego, e que agora visse, enquanto não chamaram os pais do que agora via.

19E perguntaram-lhes, dizendo: É este o vosso filho, que vós dizeis ter nascido cego? Como, pois, vê agora?

20Seus pais lhes responderam, e disseram: Sabemos que este é o nosso filho, e que nasceu cego;

21Mas como agora vê, não sabemos; ou quem lhe tenha aberto os olhos, não sabemos. Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo; e ele falará por si mesmo.

22Seus pais disseram isto, porque temiam os judeus. Porquanto já os judeus tinham resolvido que, se alguém confessasse ser ele o Cristo, fosse expulso da sinagoga.

23Por isso é que seus pais disseram: Tem idade, perguntai-lho a ele mesmo.

24Chamaram, pois, pela segunda vez o homem que tinha sido cego, e disseram-lhe: Dá glória a Deus; nós sabemos que esse homem é pecador.

25Respondeu ele pois, e disse: Se é pecador, não sei; uma coisa sei, é que, havendo eu sido cego, agora vejo.

26E tornaram a dizer-lhe: Que te fez ele? Como te abriu os olhos?

27Respondeu-lhes: Já vo-lo disse, e não ouvistes; para que o quereis tornar a ouvir? Quereis vós porventura fazer-vos também seus discípulos?

28Então o injuriaram, e disseram: Discípulo dele sejas tu; nós, porém, somos discípulos de Moisés.

29Nós bem sabemos que Deus falou a Moisés, mas este não sabemos de onde é.

30O homem respondeu, e disse-lhes: Nisto, pois, está a maravilha, que vós não saibais de onde ele é, e contudo me abrisse os olhos.

31Ora, nós sabemos que Deus não ouve a pecadores; mas, se alguém é temente a Deus, e faz a sua vontade, a esse ouve.

32Desde o princípio do mundo nunca se ouviu que alguém abrisse os olhos a um cego de nascença.

33Se este não fosse de Deus, nada poderia fazer.

34Responderam eles, e disseram-lhe: Tu és nascido todo em pecados, e nos ensinas a nós? E expulsaram-no.

35Jesus ouviu que o tinham expulsado e, encontrando-o, disse-lhe: Crês tu no Filho de Deus?

36Ele respondeu, e disse: Quem é ele, Senhor, para que nele creia?

37E Jesus lhe disse: Tu já o tens visto, e é aquele que fala contigo.

38Ele disse: Creio, Senhor. E o adorou.

39E disse-lhe Jesus: Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não vêem vejam, e os que vêem sejam cegos.

40E aqueles dos fariseus, que estavam com ele, ouvindo isto, disseram-lhe: Também nós somos cegos?

41Disse-lhes Jesus: Se fôsseis cegos, não teríeis pecado; mas como agora dizeis: Vemos; por isso o vosso pecado permanece.

Capítulo 10

1NA verdade, na verdade vos digo que aquele que não entra pela porta no curral das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador.

2Aquele, porém, que entra pela porta é o pastor das ovelhas.

3A este o porteiro abre, e as ovelhas ouvem a sua voz, e chama pelo nome às suas ovelhas, e as traz para fora.

4E, quando tira para fora as suas ovelhas, vai adiante delas, e as ovelhas o seguem, porque conhecem a sua voz.

5Mas de modo nenhum seguirão o estranho, antes fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos.

6Jesus disse-lhes esta parábola; mas eles não entenderam o que era que lhes dizia.

7Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas.

8Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram.

9Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens.

10O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir; eu vim para que tenham vida, e a tenham com abundância.

11Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

12Mas o mercenário, e o que não é pastor, de quem não são as ovelhas, vê vir o lobo, e deixa as ovelhas, e foge; e o lobo as arrebata e dispersa as ovelhas.

13Ora, o mercenário foge, porque é mercenário, e não tem cuidado das ovelhas.

14Eu sou o bom Pastor, e conheço as minhas ovelhas, e das minhas sou conhecido.

15Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas.

16Ainda tenho outras ovelhas que não são deste aprisco; também me convém agregar estas, e elas ouvirão a minha voz, e haverá um rebanho e um Pastor.

17Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para tornar a tomá-la.

18Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho poder para a dar, e poder para tornar a tomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

19Tornou, pois, a haver divisão entre os judeus por causa destas palavras.

20E muitos deles diziam: Tem demônio, e está fora de si; por que o ouvis?

21Diziam outros: Estas palavras não são de endemoninhado. Pode, porventura, um demônio abrir os olhos aos cegos?

22E em Jerusalém havia a festa da dedicação, e era inverno.

23E Jesus andava passeando no templo, no alpendre de Salomão.

24Rodearam-no, pois, os judeus, e disseram-lhe: Até quando terás a nossa alma suspensa? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente.

25Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo tenho dito, e não o credes. As obras que eu faço, em nome de meu Pai, essas testificam de mim.

26Mas vós não credes porque não sois das minhas ovelhas, como já vo-lo tenho dito.

27As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem;

28E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão.

29Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.

30Eu e o Pai somos um.

31Os judeus pegaram então outra vez em pedras para o apedrejar.

32Respondeu-lhes Jesus: Tenho-vos mostrado muitas obras boas procedentes de meu Pai; por qual destas obras me apedrejais?

33Os judeus responderam, dizendo-lhe: Não te apedrejamos por alguma obra boa, mas pela blasfêmia; porque, sendo tu homem, te fazes Deus a ti mesmo.

34Respondeu-lhes Jesus: Não está escrito na vossa lei: Eu disse: Sois deuses?

35Pois, se a lei chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus foi dirigida (e a Escritura não pode ser anulada),

36Àquele a quem o Pai santificou, e enviou ao mundo, vós dizeis: Blasfemas, porque disse: Sou Filho de Deus?

37Se não faço as obras de meu Pai, não me acrediteis.

38Mas, se as faço, e não credes em mim, crede nas obras; para que conheçais e acrediteis que o Pai está em mim e eu nele.

39Procuravam, pois, prendê-lo outra vez, mas ele escapou-se de suas mãos,

40E retirou-se outra vez para além do Jordão, para o lugar onde João tinha primeiramente batizado; e ali ficou.

41E muitos iam ter com ele, e diziam: Na verdade João não fez sinal algum, mas tudo quanto João disse deste era verdade.

42E muitos ali creram nele.

Capítulo 11

1ESTAVA, porém, enfermo um certo Lázaro, de Betânia, aldeia de Maria e de sua irmã Marta.

2E Maria era aquela que tinha ungido o Senhor com ungüento, e lhe tinha enxugado os pés com os seus cabelos, cujo irmão Lázaro estava enfermo.

3Mandaram-lhe, pois, suas irmãs dizer: Senhor, eis que está enfermo aquele que tu amas.

4E Jesus, ouvindo isto, disse: Esta enfermidade não é para morte, mas para glória de Deus, para que o Filho de Deus seja glorificado por ela.

5Ora, Jesus amava a Marta, e a sua irmã, e a Lázaro.

6Ouvindo, pois, que estava enfermo, ficou ainda dois dias no lugar onde estava.

7Depois disto, disse aos seus discípulos: Vamos outra vez para a Judéia.

8Disseram-lhe os discípulos: Rabi, ainda agora os judeus procuravam apedrejar-te, e tornas para lá?

9Jesus respondeu: Não há doze horas no dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo;

10Mas, se andar de noite, tropeça, porque nele não há luz.

11Assim falou; e depois disse-lhes: Lázaro, o nosso amigo, dorme, mas vou despertá-lo do sono.

12Disseram, pois, os seus discípulos: Senhor, se dorme, estará salvo.

13Mas Jesus dizia isto da sua morte; eles, porém, cuidavam que falava do repouso do sono.

14Então Jesus disse-lhes claramente: Lázaro está morto;

15E folgo, por amor de vós, de que eu lá não estivesse, para que acrediteis; mas vamos ter com ele.

16Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele.

17Chegando, pois, Jesus, achou que já havia quatro dias que estava na sepultura.

18(Ora Betânia distava de Jerusalém quase quinze estádios.)

19E muitos dos judeus tinham ido consolar a Marta e a Maria, acerca de seu irmão.

20Ouvindo, pois, Marta que Jesus vinha, saiu-lhe ao encontro; Maria, porém, ficou assentada em casa.

21Disse, pois, Marta a Jesus: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

22Mas também agora sei que tudo quanto pedires a Deus, Deus to concederá.

23Disse-lhe Jesus: Teu irmão há de ressuscitar.

24Disse-lhe Marta: Eu sei que há de ressuscitar na ressurreição do último dia.

25Disse-lhe Jesus: Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá;

26E todo aquele que vive, e crê em mim, nunca morrerá. Crês tu isto?

27Disse-lhe ela: Sim, Senhor, creio que tu és o Cristo, o Filho de Deus, que havia de vir ao mundo.

28E, dito isto, partiu, e chamou em segredo a Maria, sua irmã, dizendo: O Mestre está cá, e chama-te.

29Ela, ouvindo isto, levantou-se logo, e foi ter com ele.

30(Ainda Jesus não tinha chegado à aldeia, mas estava no lugar onde Marta o encontrara.)

31Vendo, pois, os judeus, que estavam com ela em casa e a consolavam, que Maria apressadamente se levantara e saíra, seguiram-na, dizendo: Vai ao sepulcro para chorar ali.

32Tendo, pois, Maria chegado aonde Jesus estava, e vendo-o, lançou-se aos seus pés, dizendo-lhe: Senhor, se tu estivesses aqui, meu irmão não teria morrido.

33Jesus pois, quando a viu chorar, e também chorando os judeus que com ela vinham, moveu-se muito em espírito, e perturbou-se.

34E disse: Onde o pusestes? Disseram-lhe: Senhor, vem, e vê.

35Jesus chorou.

36Disseram, pois, os judeus: Vede como o amava.

37E alguns deles disseram: Não podia ele, que abriu os olhos ao cego, fazer também com que este não morresse?

38Jesus, pois, movendo-se outra vez muito em si mesmo, veio ao sepulcro; e era uma caverna, e tinha uma pedra posta sobre ela.

39Disse Jesus: Tirai a pedra. Marta, irmã do defunto, disse-lhe: SENHOR, já cheira mal, porque é já de quatro dias.

40Disse-lhe Jesus: Não te hei dito que, se creres, verás a glória de Deus?

41Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido.

42Eu bem sei que sempre me ouves, mas eu disse isto por causa da multidão que está em redor, para que creiam que tu me enviaste.

43E, tendo dito isto, clamou com grande voz: Lázaro, sai para fora.

44E o defunto saiu, tendo as mãos e os pés ligados com faixas, e o seu rosto envolto num lenço. Disse-lhes Jesus: Desligai-o, e deixai-o ir.

45Muitos, pois, dentre os judeus que tinham vindo a Maria, e que tinham visto o que Jesus fizera, creram nele.

46Mas alguns deles foram ter com os fariseus, e disseram-lhes o que Jesus tinha feito.

47Depois os principais dos sacerdotes e os fariseus formaram conselho, e diziam: Que faremos? porquanto este homem faz muitos sinais.

48Se o deixamos assim, todos crerão nele, e virão os romanos, e tirar-nos-ão o nosso lugar e a nação.

49E Caifás, um deles que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: Vós nada sabeis,

50Nem considerais que nos convém que um homem morra pelo povo, e que não pereça toda a nação.

51Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação.

52E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.

53Desde aquele dia, pois, consultavam-se para o matarem.

54Jesus, pois, já não andava manifestamente entre os judeus, mas retirou-se dali para a terra junto do deserto, para uma cidade chamada Efraim; e ali ficou com os seus discípulos.

55E estava próxima a páscoa dos judeus, e muitos daquela região subiram a Jerusalém antes da páscoa para se purificarem.

56Buscavam, pois, a Jesus, e diziam uns aos outros, estando no templo: Que vos parece? Não virá à festa?

57Ora, os principais dos sacerdotes e os fariseus tinham dado ordem para que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, para o prenderem.

Capítulo 12

1FOI, pois, Jesus seis dias antes da páscoa a Betânia, onde estava Lázaro, o que falecera, e a quem ressuscitara dentre os mortos.

2Fizeram-lhe, pois, ali uma ceia, e Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam à mesa com ele.

3Então Maria, tomando um arrátel de ungüento de nardo puro, de muito preço, ungiu os pés de Jesus, e enxugou-lhe os pés com os seus cabelos; e encheu-se a casa do cheiro do ungüento.

4Então, um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, filho de Simão, o que havia de traí-lo, disse:

5Por que não se vendeu este ungüento por trezentos dinheiros e não se deu aos pobres?

6Ora, ele disse isto, não pelo cuidado que tivesse dos pobres, mas porque era ladrão e tinha a bolsa, e tirava o que ali se lançava.

7Disse, pois, Jesus: Deixai-a; para o dia da minha sepultura guardou isto;

8Porque os pobres sempre os tendes convosco, mas a mim nem sempre me tendes.

9E muita gente dos judeus soube que ele estava ali; e foram, não só por causa de Jesus, mas também para ver a Lázaro, a quem ressuscitara dentre os mortos.

10E os principais dos sacerdotes tomaram deliberação para matar também a Lázaro;

11Porque muitos dos judeus, por causa dele, iam e criam em Jesus.

12No dia seguinte, ouvindo uma grande multidão, que viera à festa, que Jesus vinha a Jerusalém,

13Tomaram ramos de palmeiras, e saíram-lhe ao encontro, e clamavam: Hosana! Bendito o Rei de Israel que vem em nome do Senhor.

14E achou Jesus um jumentinho, e assentou-se sobre ele, como está escrito:

15Não temas, ó filha de Sião; eis que o teu Rei vem assentado sobre o filho de uma jumenta.

16Os seus discípulos, porém, não entenderam isto no princípio; mas, quando Jesus foi glorificado, então se lembraram de que isto estava escrito dele, e que isto lhe fizeram.

17A multidão, pois, que estava com ele quando Lázaro foi chamado da sepultura, testificava que ele o ressuscitara dentre os mortos.

18Por isso a multidão lhe saiu ao encontro, porque tinham ouvido que ele fizera este sinal.

19Disseram, pois, os fariseus entre si: Vedes que nada aproveitais? Eis que toda a gente vai após ele.

20Ora, havia alguns gregos, entre os que tinham subido a adorar no dia da festa.

21Estes, pois, dirigiram-se a Filipe, que era de Betsaida da Galiléia, e rogaram-lhe, dizendo: Senhor, queríamos ver a Jesus.

22Filipe foi dizê-lo a André, e então André e Filipe o disseram a Jesus.

23E Jesus lhes respondeu, dizendo: É chegada a hora em que o Filho do homem há de ser glorificado.

24Na verdade, na verdade vos digo que, se o grão de trigo, caindo na terra, não morrer, fica ele só; mas se morrer, dá muito fruto.

25Quem ama a sua vida perdê-la-á, e quem neste mundo odeia a sua vida, guardá-la-á para a vida eterna.

26Se alguém me serve, siga-me, e onde eu estiver, ali estará também o meu servo. E, se alguém me servir, meu Pai o honrará.

27Agora a minha alma está perturbada; e que direi eu? Pai, salva-me desta hora; mas para isto vim a esta hora.

28Pai, glorifica o teu nome. Então veio uma voz do céu que dizia: Já o tenho glorificado, e outra vez o glorificarei.

29Ora, a multidão que ali estava, e que a ouvira, dizia que havia sido um trovão. Outros diziam: Um anjo lhe falou.

30Respondeu Jesus, e disse: Não veio esta voz por amor de mim, mas por amor de vós.

31Agora é o juízo deste mundo; agora será expulso o príncipe deste mundo.

32E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim.

33E dizia isto, significando de que morte havia de morrer.

34Respondeu-lhe a multidão: Nós temos ouvido da lei, que o Cristo permanece para sempre; e como dizes tu que convém que o Filho do homem seja levantado? Quem é esse Filho do homem?

35Disse-lhes, pois, Jesus: A luz ainda está convosco por um pouco de tempo. Andai enquanto tendes luz, para que as trevas não vos apanhem; pois quem anda nas trevas não sabe para onde vai.

36Enquanto tendes luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz. Estas coisas disse Jesus e, retirando-se, escondeu-se deles.

37E, ainda que tinha feito tantos sinais diante deles, não criam nele;

38Para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que diz: SENHOR, quem creu na nossa pregação? E a quem foi revelado o braço do Senhor?

39Por isso não podiam crer, então Isaías disse outra vez:

40Cegou-lhes os olhos, e endureceu-lhes o coração, A fim de que não vejam com os olhos, e compreendam no coração, E se convertam, E eu os cure.

41Isaías disse isto quando viu a sua glória e falou dele.

42Apesar de tudo, até muitos dos principais creram nele; mas não o confessavam por causa dos fariseus, para não serem expulsos da sinagoga.

43Porque amavam mais a glória dos homens do que a glória de Deus.

44E Jesus clamou, e disse: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou.

45E quem me vê a mim, vê aquele que me enviou.

46Eu sou a luz que vim ao mundo, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.

47E se alguém ouvir as minhas palavras, e não crer, eu não o julgo; porque eu vim, não para julgar o mundo, mas para salvar o mundo.

48Quem me rejeitar a mim, e não receber as minhas palavras, já tem quem o julgue; a palavra que tenho pregado, essa o há de julgar no último dia.

49Porque eu não tenho falado de mim mesmo; mas o Pai, que me enviou, ele me deu mandamento sobre o que hei de dizer e sobre o que hei de falar.

50E sei que o seu mandamento é a vida eterna. Portanto, o que eu falo, falo-o como o Pai mo tem dito

Capítulo 13

1ORA, antes da festa da páscoa, sabendo Jesus que já era chegada a sua hora de passar deste mundo para o Pai, como havia amado os seus, que estavam no mundo, amou-os até o fim.

2E, acabada a ceia, tendo o diabo posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, que o traísse,

3Jesus, sabendo que o Pai tinha depositado nas suas mãos todas as coisas, e que havia saído de Deus e ia para Deus,

4Levantou-se da ceia, tirou as vestes, e, tomando uma toalha, cingiu-se.

5Depois deitou água numa bacia, e começou a lavar os pés aos discípulos, e a enxugar-lhos com a toalha com que estava cingido.

6Aproximou-se, pois, de Simão Pedro, que lhe disse: Senhor, tu lavas-me os pés a mim?

7Respondeu Jesus, e disse-lhe: O que eu faço não o sabes tu agora, mas tu o saberás depois.

8Disse-lhe Pedro: Nunca me lavarás os pés. Respondeu-lhe Jesus: Se eu te não lavar, não tens parte comigo.

9Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.

10Disse-lhe Jesus: Aquele que está lavado não necessita de lavar senão os pés, pois no mais todo está limpo. Ora vós estais limpos, mas não todos.

11Porque bem sabia ele quem o havia de trair; por isso disse: Nem todos estais limpos.

12Depois que lhes lavou os pés, e tomou as suas vestes, e se assentou outra vez à mesa, disse-lhes: Entendeis o que vos tenho feito?

13Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque eu o sou.

14Ora, se eu, Senhor e Mestre, vos lavei os pés, vós deveis também lavar os pés uns aos outros.

15Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.

16Na verdade, na verdade vos digo que não é o servo maior do que o seu senhor, nem o enviado maior do que aquele que o enviou.

17Se sabeis estas coisas, bem-aventurados sois se as fizerdes.

18Não falo de todos vós; eu bem sei os que tenho escolhido; mas para que se cumpra a Escritura: O que come o pão comigo, levantou contra mim o seu calcanhar.

19Desde agora vo-lo digo, antes que aconteça, para que, quando acontecer, acrediteis que eu sou.

20Na verdade, na verdade vos digo: Se alguém receber o que eu enviar, me recebe a mim, e quem me recebe a mim, recebe aquele que me enviou.

21Tendo Jesus dito isto, turbou-se em espírito, e afirmou, dizendo: Na verdade, na verdade vos digo que um de vós me há de trair.

22Então os discípulos olhavam uns para os outros, duvidando de quem ele falava.

23Ora, um de seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado no seio de Jesus.

24Então Simão Pedro fez sinal a este, para que perguntasse quem era aquele de quem ele falava.

25E, inclinando-se ele sobre o peito de Jesus, disse-lhe: Senhor, quem é?

26Jesus respondeu: É aquele a quem eu der o bocado molhado. E, molhando o bocado, o deu a Judas Iscariotes, filho de Simão.

27E, após o bocado, entrou nele Satanás. Disse, pois, Jesus: O que fazes, faze-o depressa.

28E nenhum dos que estavam assentados à mesa compreendeu a que propósito lhe dissera isto.

29Porque, como Judas tinha a bolsa, pensavam alguns que Jesus lhe tinha dito: Compra o que nos é necessário para a festa; ou que desse alguma coisa aos pobres.

30E, tendo Judas tomado o bocado, saiu logo. E era já noite.

31Tendo ele, pois, saído, disse Jesus: Agora é glorificado o Filho do homem, e Deus é glorificado nele.

32Se Deus é glorificado nele, também Deus o glorificará em si mesmo, e logo o há de glorificar.

33Filhinhos, ainda por um pouco estou convosco. Vós me buscareis, mas, como tenho dito aos judeus: Para onde eu vou não podeis vós ir; eu vo-lo digo também agora.

34Um novo mandamento vos dou: Que vos ameis uns aos outros; como eu vos amei a vós, que também vós uns aos outros vos ameis.

35Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros.

36Disse-lhe Simão Pedro: Senhor, para onde vais? Jesus lhe respondeu: Para onde eu vou não podes agora seguir-me, mas depois me seguirás.

37Disse-lhe Pedro: Por que não posso seguir-te agora? Por ti darei a minha vida.

38Respondeu-lhe Jesus: Tu darás a tua vida por mim? Na verdade, na verdade te digo que não cantará o galo enquanto não me tiveres negado três vezes.

Capítulo 14

1NÃO se turbe o vosso coração; credes em Deus, crede também em mim.

2Na casa de meu Pai há muitas moradas; se não fosse assim, eu vo-lo teria dito. Vou preparar-vos lugar.

3E quando eu for, e vos preparar lugar, virei outra vez, e vos levarei para mim mesmo, para que onde eu estiver estejais vós também.

4Mesmo vós sabeis para onde vou, e conheceis o caminho.

5Disse-lhe Tomé: Senhor, nós não sabemos para onde vais; e como podemos saber o caminho?

6Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.

7Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.

8Disse-lhe Filipe: Senhor, mostra-nos o Pai, o que nos basta.

9Disse-lhe Jesus: Estou há tanto tempo convosco, e não me tendes conhecido, Filipe? Quem me vê a mim vê o Pai; e como dizes tu: Mostra-nos o Pai?

10Não crês tu que eu estou no Pai, e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo não as digo de mim mesmo, mas o Pai, que está em mim, é quem faz as obras.

11Crede-me que estou no Pai, e o Pai em mim; crede-me, ao menos, por causa das mesmas obras.

12Na verdade, na verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço, e as fará maiores do que estas, porque eu vou para meu Pai.

13E tudo quanto pedirdes em meu nome eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.

14Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.

15Se me amais, guardai os meus mandamentos.

16E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre;

17O Espírito de verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece; mas vós o conheceis, porque habita convosco, e estará em vós.

18Não vos deixarei órfãos; voltarei para vós.

19Ainda um pouco, e o mundo não me verá mais, mas vós me vereis; porque eu vivo, e vós vivereis.

20Naquele dia conhecereis que estou em meu Pai, e vós em mim, e eu em vós.

21Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama; e aquele que me ama será amado de meu Pai, e eu o amarei, e me manifestarei a ele.

22Disse-lhe Judas (não o Iscariotes): SENHOR, de onde vem que te hás de manifestar a nós, e não ao mundo?

23Jesus respondeu, e disse-lhe: Se alguém me ama, guardará a minha palavra, e meu Pai o amará, e viremos para ele, e faremos nele morada.

24Quem não me ama não guarda as minhas palavras; ora, a palavra que ouvistes não é minha, mas do Pai que me enviou.

25Tenho-vos dito isto, estando convosco.

26Mas aquele Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito.

27Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá. Não se turbe o vosso coração, nem se atemorize.

28Ouvistes que eu vos disse: Vou, e venho para vós. Se me amásseis, certamente exultaríeis porque eu disse: Vou para o Pai; porque meu Pai é maior do que eu.

29Eu vo-lo disse agora antes que aconteça, para que, quando acontecer, vós acrediteis.

30Já não falarei muito convosco, porque se aproxima o príncipe deste mundo, e nada tem em mim;

31Mas é para que o mundo saiba que eu amo o Pai, e que faço como o Pai me mandou. Levantai-vos, vamo-nos daqui

Capítulo 15

1EU sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.

2Toda a vara em mim, que não dá fruto, a tira; e limpa toda aquela que dá fruto, para que dê mais fruto.

3Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado.

4Estai em mim, e eu em vós; como a vara de si mesma não pode dar fruto, se não estiver na videira, assim também vós, se não estiverdes em mim.

5Eu sou a videira, vós as varas; quem está em mim, e eu nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer.

6Se alguém não estiver em mim, será lançado fora, como a vara, e secará; e os colhem e lançam no fogo, e ardem.

7Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.

8Nisto é glorificado meu Pai, que deis muito fruto; e assim sereis meus discípulos.

9Como o Pai me amou, também eu vos amei a vós; permanecei no meu amor.

10Se guardardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor; do mesmo modo que eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai, e permaneço no seu amor.

11Tenho-vos dito isto, para que o meu gozo permaneça em vós, e o vosso gozo seja completo.

12O meu mandamento é este: Que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei.

13Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos.

14Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando.

15Já vos não chamarei servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho feito conhecer.

16Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vo-lo conceda.

17Isto vos mando: Que vos ameis uns aos outros.

18Se o mundo vos odeia, sabei que, primeiro do que a vós, me odiou a mim.

19Se vós fôsseis do mundo, o mundo amaria o que era seu, mas porque não sois do mundo, antes eu vos escolhi do mundo, por isso é que o mundo vos odeia.

20Lembrai-vos da palavra que vos disse: Não é o servo maior do que o seu SENHOR. Se a mim me perseguiram, também vos perseguirão a vós; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa.

21Mas tudo isto vos farão por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.

22Se eu não viera, nem lhes houvera falado, não teriam pecado, mas agora não têm desculpa do seu pecado.

23Aquele que me odeia, odeia também a meu Pai.

24Se eu entre eles não fizesse tais obras, quais nenhum outro tem feito, não teriam pecado; mas agora, viram-nas e me odiaram a mim e a meu Pai.

25Mas é para que se cumpra a palavra que está escrita na sua lei: Odiaram-me sem causa.

26Mas, quando vier o Consolador, que eu da parte do Pai vos hei de enviar, aquele Espírito de verdade, que procede do Pai, ele testificará de mim.

27E vós também testificareis, pois estivestes comigo desde o princípio

Capítulo 16

1TENHO-VOS dito estas coisas para que vos não escandalizeis.

2Expulsar-vos-ão das sinagogas; vem mesmo a hora em que qualquer que vos matar cuidará fazer um serviço a Deus.

3E isto vos farão, porque não conheceram ao Pai nem a mim.

4Mas tenho-vos dito isto, a fim de que, quando chegar aquela hora, vos lembreis de que já vo-lo tinha dito. E eu não vos disse isto desde o princípio, porque estava convosco.

5E agora vou para aquele que me enviou; e nenhum de vós me pergunta: Para onde vais?

6Antes, porque isto vos tenho dito, o vosso coração se encheu de tristeza.

7Todavia digo-vos a verdade, que vos convém que eu vá; porque, se eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, quando eu for, vo-lo enviarei.

8E, quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, e da justiça e do juízo.

9Do pecado, porque não crêem em mim;

10Da justiça, porque vou para meu Pai, e não me vereis mais;

11E do juízo, porque já o príncipe deste mundo está julgado.

12Ainda tenho muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora.

13Mas, quando vier aquele, o Espírito de verdade, ele vos guiará em toda a verdade; porque não falará de si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido, e vos anunciará o que há de vir.

14Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar.

15Tudo quanto o Pai tem é meu; por isso vos disse que há de receber do que é meu e vo-lo há de anunciar.

16Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; porquanto vou para o Pai.

17Então alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros: Que é isto que nos diz? Um pouco, e não me vereis; e outra vez um pouco, e ver-me-eis; e: Porquanto vou para o Pai?

18Diziam, pois: Que quer dizer isto: Um pouco? Não sabemos o que diz.

19Conheceu, pois, Jesus que o queriam interrogar, e disse-lhes: Indagais entre vós acerca disto que disse: Um pouco, e não me vereis, e outra vez um pouco, e ver-me-eis?

20Na verdade, na verdade vos digo que vós chorareis e vos lamentareis, e o mundo se alegrará, e vós estareis tristes, mas a vossa tristeza se converterá em alegria.

21A mulher, quando está para dar à luz, sente tristeza, porque é chegada a sua hora; mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da aflição, pelo prazer de haver nascido um homem no mundo.

22Assim também vós agora, na verdade, tendes tristeza; mas outra vez vos verei, e o vosso coração se alegrará, e a vossa alegria ninguém vo-la tirará.

23E naquele dia nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.

24Até agora nada pedistes em meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra.

25Disse-vos isto por parábolas; chega, porém, a hora em que não vos falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai.

26Naquele dia pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai;

27Pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes, e crestes que saí de Deus.

28Saí do Pai, e vim ao mundo; outra vez deixo o mundo, e vou para o Pai.

29Disseram-lhe os seus discípulos: Eis que agora falas abertamente, e não dizes parábola alguma.

30Agora conhecemos que sabes tudo, e não precisas de que alguém te interrogue. Por isso cremos que saíste de Deus.

31Respondeu-lhes Jesus: Credes agora?

32Eis que chega a hora, e já se aproxima, em que vós sereis dispersos cada um para sua parte, e me deixareis só; mas não estou só, porque o Pai está comigo.

33Tenho-vos dito isto, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo, eu venci o mundo.

Capítulo 17

1JESUS falou assim e, levantando seus olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o teu Filho te glorifique a ti;

2Assim como lhe deste poder sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos quantos lhe deste.

3E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.

4Eu glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer.

5E agora glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que tinha contigo antes que o mundo existisse.

6Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste; eram teus, e tu mos deste, e guardaram a tua palavra.

7Agora já têm conhecido que tudo quanto me deste provém de ti;

8Porque lhes dei as palavras que tu me deste; e eles as receberam, e têm verdadeiramente conhecido que saí de ti, e creram que me enviaste.

9Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.

10E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e nisso sou glorificado.

11E eu já não estou mais no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda em teu nome aqueles que me deste, para que sejam um, assim como nós.

12Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse.

13Mas agora vou para ti, e digo isto no mundo, para que tenham a minha alegria completa em si mesmos.

14Dei-lhes a tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.

15Não peço que os tires do mundo, mas que os livres do mal.

16Não são do mundo, como eu do mundo não sou.

17Santifica-os na tua verdade; a tua palavra é a verdade.

18Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.

19E por eles me santifico a mim mesmo, para que também eles sejam santificados na verdade.

20E não rogo somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;

21Para que todos sejam um, como tu, ó Pai, o és em mim, e eu em ti; que também eles sejam um em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste.

22E eu dei-lhes a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um.

23Eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, e para que o mundo conheça que tu me enviaste a mim, e que os tens amado a eles como me tens amado a mim.

24Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.

25Pai justo, o mundo não te conheceu; mas eu te conheci, e estes conheceram que tu me enviaste a mim.

26E eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer mais, para que o amor com que me tens amado esteja neles, e eu neles esteja.

Capítulo 18

1TENDO Jesus dito isto, saiu com os seus discípulos para além do ribeiro de Cedrom, onde havia um horto, no qual ele entrou e seus discípulos.

2E Judas, que o traía, também conhecia aquele lugar, porque Jesus muitas vezes se ajuntava ali com os seus discípulos.

3Tendo, pois, Judas recebido a coorte e oficiais dos principais sacerdotes e fariseus, veio para ali com lanternas, e archotes e armas.

4Sabendo, pois, Jesus todas as coisas que sobre ele haviam de vir, adiantou-se, e disse-lhes: A quem buscais?

5Responderam-lhe: A Jesus Nazareno. Disse-lhes Jesus: Sou eu. E Judas, que o traía, estava com eles.

6Quando, pois, lhes disse: Sou eu, recuaram, e caíram por terra.

7Tornou-lhes, pois, a perguntar: A quem buscais? E eles disseram: A Jesus Nazareno.

8Jesus respondeu: Já vos disse que sou eu; se, pois, me buscais a mim, deixai ir estes;

9Para que se cumprisse a palavra que tinha dito: Dos que me deste nenhum deles perdi.

10Então Simão Pedro, que tinha espada, desembainhou-a, e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. E o nome do servo era Malco.

11Mas Jesus disse a Pedro: Põe a tua espada na bainha; não beberei eu o cálice que o Pai me deu?

12Então a coorte, e o tribuno, e os servos dos judeus prenderam a Jesus e o maniataram.

13E conduziram-no primeiramente a Anás, por ser sogro de Caifás, que era o sumo sacerdote daquele ano.

14Ora, Caifás era quem tinha aconselhado aos judeus que convinha que um homem morresse pelo povo.

15E Simão Pedro e outro discípulo seguiam a Jesus. E este discípulo era conhecido do sumo sacerdote, e entrou com Jesus na sala do sumo sacerdote.

16E Pedro estava da parte de fora, à porta. Saiu então o outro discípulo que era conhecido do sumo sacerdote, e falou à porteira, levando Pedro para dentro.

17Então a porteira disse a Pedro: Não és tu também dos discípulos deste homem? Disse ele: Não sou.

18Ora, estavam ali os servos e os servidores, que tinham feito brasas, e se aquentavam, porque fazia frio; e com eles estava Pedro, aquentando-se também.

19E o sumo sacerdote interrogou Jesus acerca dos seus discípulos e da sua doutrina.

20Jesus lhe respondeu: Eu falei abertamente ao mundo; eu sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde os judeus sempre se ajuntam, e nada disse em oculto.

21Para que me perguntas a mim? Pergunta aos que ouviram o que é que lhes ensinei; eis que eles sabem o que eu lhes tenho dito.

22E, tendo dito isto, um dos servidores que ali estavam, deu uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim respondes ao sumo sacerdote?

23Respondeu-lhe Jesus: Se falei mal, dá testemunho do mal; e, se bem, por que me feres?

24E Anás mandou-o, maniatado, ao sumo sacerdote Caifás.

25E Simão Pedro estava ali, e aquentava-se. Disseram-lhe, pois: Não és também tu um dos seus discípulos? Ele negou, e disse: Não sou.

26E um dos servos do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro cortara a orelha, disse: Não te vi eu no horto com ele?

27E Pedro negou outra vez, e logo o galo cantou.

28Depois levaram Jesus da casa de Caifás para a audiência. E era pela manhã cedo. E não entraram na audiência, para não se contaminarem, mas poderem comer a páscoa.

29Então Pilatos saiu fora e disse-lhes: Que acusação trazeis contra este homem?

30Responderam, e disseram-lhe: Se este não fosse malfeitor, não to entregaríamos.

31Disse-lhes, pois, Pilatos: Levai-o vós, e julgai-o segundo a vossa lei. Disseram-lhe então os judeus: A nós não nos é lícito matar pessoa alguma.

32(Para que se cumprisse a palavra que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer).

33Tornou, pois, a entrar Pilatos na audiência, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Rei dos Judeus?

34Respondeu-lhe Jesus: Tu dizes isso de ti mesmo, ou disseram-to outros de mim?

35Pilatos respondeu: Porventura sou eu judeu? A tua nação e os principais dos sacerdotes entregaram-te a mim. Que fizeste?

36Respondeu Jesus: O meu reino não é deste mundo; se o meu reino fosse deste mundo, pelejariam os meus servos, para que eu não fosse entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.

37Disse-lhe, pois, Pilatos: Logo tu és rei? Jesus respondeu: Tu dizes que eu sou rei. Eu para isso nasci, e para isso vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz.

38Disse-lhe Pilatos: Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir ter com os judeus, e disse-lhes: Não acho nele crime algum.

39Mas vós tendes por costume que eu vos solte alguém pela páscoa. Quereis, pois, que vos solte o Rei dos Judeus?

40Então todos tornaram a clamar, dizendo: Este não, mas Barrabás. E Barrabás era um salteador

Capítulo 19

1PILATOS, pois, tomou então a Jesus, e o açoitou.

2E os soldados, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram sobre a cabeça, e lhe vestiram roupa de púrpura.

3E diziam: Salve, Rei dos Judeus. E davam-lhe bofetadas.

4Então Pilatos saiu outra vez fora, e disse-lhes: Eis aqui vo-lo trago fora, para que saibais que não acho nele crime algum.

5Saiu, pois, Jesus fora, levando a coroa de espinhos e roupa de púrpura. E disse-lhes Pilatos: Eis aqui o homem.

6Vendo-o, pois, os principais dos sacerdotes e os servos, clamaram, dizendo: Crucifica-o, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Tomai-o vós, e crucificai-o; porque eu nenhum crime acho nele.

7Responderam-lhe os judeus: Nós temos uma lei e, segundo a nossa lei, deve morrer, porque se fez Filho de Deus.

8E Pilatos, quando ouviu esta palavra, mais atemorizado ficou.

9E entrou outra vez na audiência, e disse a Jesus: De onde és tu? Mas Jesus não lhe deu resposta.

10Disse-lhe, pois, Pilatos: Não me falas a mim? Não sabes tu que tenho poder para te crucificar e tenho poder para te soltar?

11Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem.

12Desde então Pilatos procurava soltá-lo; mas os judeus clamavam, dizendo: Se soltas este, não és amigo de César; qualquer que se faz rei é contra César.

13Ouvindo, pois, Pilatos este dito, levou Jesus para fora, e assentou-se no tribunal, no lugar chamado Litóstrotos, e em hebraico Gabatá.

14E era a preparação da páscoa, e quase à hora sexta; e disse aos judeus: Eis aqui o vosso Rei.

15Mas eles bradaram: Tira, tira, crucifica-o. Disse-lhes Pilatos: Hei de crucificar o vosso Rei? Responderam os principais dos sacerdotes: Não temos rei, senão César.

16Então, conseqüentemente entregou-lho, para que fosse crucificado. E tomaram a Jesus, e o levaram.

17E, levando ele às costas a sua cruz, saiu para o lugar chamado Caveira, que em hebraico se chama Gólgota,

18Onde o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.

19E Pilatos escreveu também um título, e pô-lo em cima da cruz; e nele estava escrito: JESUS NAZARENO, O REI DOS JUDEUS.

20E muitos dos judeus leram este título; porque o lugar onde Jesus estava crucificado era próximo da cidade; e estava escrito em hebraico, grego e latim.

21Diziam, pois, os principais sacerdotes dos judeus a Pilatos: Não escrevas, O Rei dos Judeus, mas que ele disse: Sou o Rei dos Judeus.

22Respondeu Pilatos: O que escrevi, escrevi.

23Tendo, pois, os soldados crucificado a Jesus, tomaram as suas vestes, e fizeram quatro partes, para cada soldado uma parte; e também a túnica. A túnica, porém, tecida toda de alto a baixo, não tinha costura.

24Disseram, pois, uns aos outros: Não a rasguemos, mas lancemos sortes sobre ela, para ver de quem será. Para que se cumprisse a Escritura que diz: Repartiram entre si as minhas vestes, E sobre a minha vestidura lançaram sortes. Os soldados, pois, fizeram

25E junto à cruz de Jesus estava sua mãe, e a irmã de sua mãe, Maria mulher de Clopas, e Maria Madalena.

26Ora Jesus, vendo ali sua mãe, e que o discípulo a quem ele amava estava presente, disse a sua mãe: Mulher, eis aí o teu filho.

27Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E desde aquela hora o discípulo a recebeu em sua casa.

28Depois, sabendo Jesus que já todas as coisas estavam terminadas, para que a Escritura se cumprisse, disse: Tenho sede.

29Estava, pois, ali um vaso cheio de vinagre. E encheram de vinagre uma esponja, e, pondo-a num hissope, lha chegaram à boca.

30E, quando Jesus tomou o vinagre, disse: Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

31Os judeus, pois, para que no sábado não ficassem os corpos na cruz, visto como era a preparação (pois era grande o dia de sábado), rogaram a Pilatos que se lhes quebrassem as pernas, e fossem tirados.

32Foram, pois, os soldados, e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro, e ao outro que como ele fora crucificado;

33Mas, vindo a Jesus, e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas.

34Contudo um dos soldados lhe furou o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água.

35E aquele que o viu testificou, e o seu testemunho é verdadeiro; e sabe que é verdade o que diz, para que também vós o creiais.

36Porque isto aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: Nenhum dos seus ossos será quebrado.

37E outra vez diz a Escritura: Verão aquele que traspassaram.

38Depois disto, José de Arimatéia (o que era discípulo de Jesus, mas oculto, por medo dos judeus) rogou a Pilatos que lhe permitisse tirar o corpo de Jesus. E Pilatos lho permitiu. Então foi e tirou o corpo de Jesus.

39E foi também Nicodemos (aquele que anteriormente se dirigira de noite a Jesus), levando quase cem arráteis de um composto de mirra e aloés.

40Tomaram, pois, o corpo de Jesus e o envolveram em lençóis com as especiarias, como os judeus costumam fazer, na preparação para o sepulcro.

41E havia um horto naquele lugar onde fora crucificado, e no horto um sepulcro novo, em que ainda ninguém havia sido posto.

42Ali, pois (por causa da preparação dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro), puseram a Jesus.

Capítulo 20

1E NO primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu a pedra tirada do sepulcro.

2Correu, pois, e foi a Simão Pedro, e ao outro discípulo, a quem Jesus amava, e disse-lhes: Levaram o Senhor do sepulcro, e não sabemos onde o puseram.

3Então Pedro saiu com o outro discípulo, e foram ao sepulcro.

4E os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais apressadamente do que Pedro, e chegou primeiro ao sepulcro.

5E, abaixando-se, viu no chão os lençóis; todavia não entrou.

6Chegou, pois, Simão Pedro, que o seguia, e entrou no sepulcro, e viu no chão os lençóis,

7E que o lenço, que tinha estado sobre a sua cabeça, não estava com os lençóis, mas enrolado num lugar à parte.

8Então entrou também o outro discípulo, que chegara primeiro ao sepulcro, e viu, e creu.

9Porque ainda não sabiam a Escritura, que era necessário que ressuscitasse dentre os mortos.

10Tornaram, pois, os discípulos para casa.

11E Maria estava chorando fora, junto ao sepulcro. Estando ela, pois, chorando, abaixou-se para o sepulcro.

12E viu dois anjos vestidos de branco, assentados onde jazera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.

13E disseram-lhe eles: Mulher, por que choras? Ela lhes disse: Porque levaram o meu Senhor, e não sei onde o puseram.

14E, tendo dito isto, voltou-se para trás, e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.

15Disse-lhe Jesus: Mulher, por que choras? Quem buscas? Ela, cuidando que era o hortelão, disse-lhe: Senhor, se tu o levaste, dize-me onde o puseste, e eu o levarei.

16Disse-lhe Jesus: Maria! Ela, voltando-se, disse-lhe: Raboni (que quer dizer, Mestre).

17Disse-lhe Jesus: Não me detenhas, porque ainda não subi para meu Pai, mas vai para meus irmãos, e dize-lhes que eu subo para meu Pai e vosso Pai, meu Deus e vosso Deus.

18Maria Madalena foi e anunciou aos discípulos que vira o Senhor, e que ele lhe dissera isto.

19Chegada, pois, a tarde daquele dia, o primeiro da semana, e cerradas as portas onde os discípulos, com medo dos judeus, se tinham ajuntado, chegou Jesus, e pôs-se no meio, e disse-lhes: Paz seja convosco.

20E, dizendo isto, mostrou-lhes as suas mãos e o lado. De sorte que os discípulos se alegraram, vendo o Senhor.

21Disse-lhes, pois, Jesus outra vez: Paz seja convosco; assim como o Pai me enviou, também eu vos envio a vós.

22E, havendo dito isto, assoprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.

23Àqueles a quem perdoardes os pecados lhes são perdoados; e àqueles a quem os retiverdes lhes são retidos.

24Ora, Tomé, um dos doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando veio Jesus.

25Disseram-lhe, pois, os outros discípulos: Vimos o Senhor. Mas ele disse-lhes: Se eu não vir o sinal dos cravos em suas mãos, e não puser o dedo no lugar dos cravos, e não puser a minha mão no seu lado, de maneira nenhuma o crerei.

26E oito dias depois estavam outra vez os seus discípulos dentro, e com eles Tomé. Chegou Jesus, estando as portas fechadas, e apresentou-se no meio, e disse: Paz seja convosco.

27Depois disse a Tomé: Põe aqui o teu dedo, e vê as minhas mãos; e chega a tua mão, e põe-na no meu lado; e não sejas incrédulo, mas crente.

28E Tomé respondeu, e disse-lhe: Senhor meu, e Deus meu!

29Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé, creste; bem-aventurados os que não viram e creram.

30Jesus, pois, operou também em presença de seus discípulos muitos outros sinais, que não estão escritos neste livro.

31Estes, porém, foram escritos para que creiais que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenhais vida em seu nome.

Capítulo 21

1DEPOIS disto manifestou-se Jesus outra vez aos discípulos junto do mar de Tiberíades; e manifestou-se assim:

2Estavam juntos Simão Pedro, e Tomé, chamado Dídimo, e Natanael, que era de Caná da Galiléia, os filhos de Zebedeu, e outros dois dos seus discípulos.

3Disse-lhes Simão Pedro: Vou pescar. Dizem-lhe eles: Também nós vamos contigo. Foram, e subiram logo para o barco, e naquela noite nada apanharam.

4E, sendo já manhã, Jesus se apresentou na praia, mas os discípulos não conheceram que era Jesus.

5Disse-lhes, pois, Jesus: Filhos, tendes alguma coisa de comer? Responderam-lhe: Não.

6E ele lhes disse: Lançai a rede para o lado direito do barco, e achareis. Lançaram-na, pois, e já não a podiam tirar, pela multidão dos peixes.

7Então aquele discípulo, a quem Jesus amava, disse a Pedro: É o SENHOR. E, quando Simão Pedro ouviu que era o Senhor, cingiu-se com a túnica (porque estava nu) e lançou-se ao mar.

8E os outros discípulos foram com o barco (porque não estavam distantes da terra senão quase duzentos côvados), levando a rede cheia de peixes.

9Logo que desceram para terra, viram ali brasas, e um peixe posto em cima, e pão.

10Disse-lhes Jesus: Trazei dos peixes que agora apanhastes.

11Simão Pedro subiu e puxou a rede para terra, cheia de cento e cinqüenta e três grandes peixes e, sendo tantos, não se rompeu a rede.

12Disse-lhes Jesus: Vinde, comei. E nenhum dos discípulos ousava perguntar-lhe: Quem és tu? sabendo que era o Senhor.

13Chegou, pois, Jesus, e tomou o pão, e deu-lhes e, semelhantemente o peixe.

14E já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos seus discípulos, depois de ter ressuscitado dentre os mortos.

15E, depois de terem jantado, disse Jesus a Simão Pedro: Simão, filho de Jonas, amas-me mais do que estes? E ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta os meus cordeiros.

16Tornou a dizer-lhe segunda vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Disse-lhe: Sim, Senhor, tu sabes que te amo. Disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

17Disse-lhe terceira vez: Simão, filho de Jonas, amas-me? Simão entristeceu-se por lhe ter dito terceira vez: Amas-me? E disse-lhe: SENHOR, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo. Jesus disse-lhe: Apascenta as minhas ovelhas.

18Na verdade, na verdade te digo que, quando eras mais moço, te cingias a ti mesmo, e andavas por onde querias; mas, quando já fores velho, estenderás as tuas mãos, e outro te cingirá, e te levará para onde tu não queiras.

19E disse isto, significando com que morte havia ele de glorificar a Deus. E, dito isto, disse-lhe: Segue-me.

20E Pedro, voltando-se, viu que o seguia aquele discípulo a quem Jesus amava, e que na ceia se recostara também sobre o seu peito, e que dissera: Senhor, quem é que te há de trair?

21Vendo Pedro a este, disse a Jesus: Senhor, e deste que será?

22Disse-lhe Jesus: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti? Segue-me tu.

23Divulgou-se, pois, entre os irmãos este dito, que aquele discípulo não havia de morrer. Jesus, porém, não lhe disse que não morreria, mas: Se eu quero que ele fique até que eu venha, que te importa a ti?

24Este é o discípulo que testifica destas coisas e as escreveu; e sabemos que o seu testemunho é verdadeiro.

25Há, porém, ainda muitas outras coisas que Jesus fez; e se cada uma das quais fosse escrita, cuido que nem ainda o mundo todo poderia conter os livros que se escrevessem. Amém.